Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

how strange, innocence

É através das coisas belas que nos ficaram do passado que podemos refazer, de testemunho em testemunho, os itnerários percorridos nessa apai xonante caminhada, não na busca do tempo perdido, mas ao encontro do tempo que ficou vivo para sempre porque entranhado na arte.
O que caracteriza a obra de arte é, precisamente, esta eterna presença da coisa daquela carga de amor e de saber que, um dia, a configurou.

COSTA, Maria Elisa (org) “Com a palavra, Lucio Costa” Rio de janeiro: Aeroplano, 2001. In: COSTA, Lucio. “Registro de uma vivência”)

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distribuição das vozes:

o narrador convencional (apresentadores da verdade em tom uniforme e fala neutra) Björk Guðmundsdóttir

o cafajeste (imaginário brasileiro que se extende desde o melodramas até teorias literárias à la antonio cândido) Charles Robert Redford Jr.

a mocinha (antagonista do cafajeste, moral imaginária; inocente e idiota) Harry Dean Stanton

os sandapilários indiferentes (opera-riado, gente pobre) e as juvenilidades auriverdes (nós) águia, urubus, porcos, capivaras e catadores do lixão de São Gonçalo

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a memória se apóia nas coisas concretas; a memória cognitiva dá voltas, se constrói a partir de um emaranhado de estímulos e o suposto “passado” volta à realidade mediante solicitações presentes. e de trechos dum livro antigo, sons de um mar distante, imagens congeladas de um filme qualquer, surge, igualmente confusa, uma maneira de pensar -- juntando os pedaços depreende-se um raciocínio mais ou menos lógico.
impossível a construção de uma consciência individual, na medida em que o raciocínio baseia-se em linguagem, e a linguagem depende de sociabilidade.
a linguagem é um mecanismo forjado e falho por excelência
a realidade é uma construção.

O que caracteriza a obra de arte é, precisamente, esta eterna presença da cosia daquela carga de amor e de saber que, um dia, a configurou. (Mesmo que a tal carga nunca tenha existido de fato)

-- É bastante simples: basta não quebrar o eixo.

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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

ah, esses estudantes...

na terça feira passada, um amigo me ligou perguntando se eu estava na usp em meio à baderna (ironia)

não estava, liguei a televisão (e o único canal que pega em casa é a band) e o noticiário mostrava justamente isso. de uma forma engraçadinha até, pra quem faz algum uso da linguagem dos primeiros parênteses deste texto: o imbecil apresentador ouvia o discurso do imbecil chefe da polícia e dizia acreditar nele. contava que a polícia foi até lá para simplesmente "olhar o movimento" até que foram agredidos pelos baderneiros... mas obviamente não reagiram.

como sabemos, a instituição além de muito séria é pacifista.
a imagem que acompanhava o tal discurso provavelmente foi montada, porque mostrava justamente policiais armados e fazendo bom uso dos objetos de trabalho.. a outra hipótese é algo parecida com uma cena do "scarface" (?) em que a mulher encontra o marido com duas prostitutas na cama e ele argumenta "mas, querida, você confia mais na imagem do que na minha palavra??"

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uma transcrição à la "anuário dos perplexos", falando do não-debate da folha e (obviamente) de outros assuntos mais:

O INVERNO DE NOSSO DESCONTENTAMENTO
Osvaldo Coggiola



Na sua edição de 11 de junho, a página 3 da Folha de S. Paulo, chamada "Tendências & Debates", negou seu próprio nome, pois apresentou dois artigos da mesma tendência e, em conseqüência, nenhum debate. Os seus autores foram a Reitora da USP, Profa. Suely Vilela, e o professor emérito da FFLCH, José Arthur Giannotti. O tema: o conflito da USP e, em especial, os acontecimentos de 9 de junho.

Para a Reitora, todo o problema reside em que "minorias radicais pretendem manter a universidade refém de suas idéias e métodos de ação política, fazendo uso sistemático da violência para alcançar seus fins". O problema seria antigo, pois "há 20 anos um mesmo grupo de militantes políticos profissionais domina alguns movimentos na USP". A Reitora deve saber que, no Brasil ou na USP, a militância política não está proibida; sua condenação dirigir-se-ia, portanto,ao "profissionalismo" da mesma, o que indicaria uma preferência sua pelo amadorismo (seus três anos de gestão à frente da USP corroborariam plenamente essa suposição).

O Prof. Giannotti reconhece a gravidade dos acontecimentos de 9 de junho ("Felizmente só houve feridos", nos diz, o que significa, corretamente, que poderia ter havido mortes), e estende a culpabilidade pelos mesmos à "indiferença da maioria dos atores (que) termina criando espaço para os ditos "radicais"", ou seja, mesmo réu, mais cúmplices. A solução, para o autor, seria que os cúmplices deixassem de sê-lo, para "explorarem as ambigüidades da legislação vigente para mobilizar a sociedade civil visando forçar mudanças nas leis pelas leis", o que admite diversas interpretações, a mais óbvia das quais seria a de que os movimentos sindicais deveriam ser liderados por juristas experts em ambigüidades legais. Piadas à parte, o Prof. Giannotti deve seguramente ignorar que essa "exploração" constitui o pão nosso de cada dia de cada professor, funcionário ou aluno que se propõe, na USP ou na universidade pública, fazer algo a mais do que obedecer a cartilha burocrático/privatista hegemônica.

Condescendente, a Reitora admite que "tudo indica que, de modo geral, intelectuais e cientistas têm dificuldades em lidar com a violência quando esta se expressa no âmbito dos conflitos políticos e, especialmente, em eventos nos quais estamos diretamente envolvidos". Somos também informados que, felizmente, "alguns de nós se dedicam ao estudo da crescente violência na sociedade brasileira atual, e avançamos muito na compreensão desse fenômeno". Infelizmente, entretanto, não somos informados acerca da identidade desse grupo de estudiosos, e menos ainda de suas conclusões, que lhes permitiriam "lidar sem dificuldades" com a violência, o que poria o Brasil (e, especialmente, a USP) na vanguarda mundial da pesquisa a respeito. Se a ação da PM de 9 de junho foi produto desses "estudos" devemos suspeitar, porém, que eles não primam pela originalidade.

Os acontecimentos de 9 de junho, segundo a Reitora, foram devidos a que "reduzido grupo de ativistas presentes na manifestação que se desenvolvia pacificamente, decidiu partir para provocações seguidas do confronto físico com os policiais", os quais, "provocados" (!), atacaram - com bombas de efeito moral, balas de borracha e cassetetes - o "reduzido grupo", os manifestantes todos, e toda pessoa ou coisa que se movimentasse, no percurso entre a rua Alvarenga e o prédio de História/Geografia, bastante longo. Para o Emérito Giannotti, "tendo os estudantes se associado a grupos baderneiros, não cabia à reitora chamar a polícia para garantir o patrimônio público?", premissa a partir da qual chegou-se a que quando "estudantes, funcionários e professores se manifestavam contra a presença da polícia no campus... alguns extravasaram os limites do bom senso, acuando a polícia, que, reforçada, reagiu com violência". Na mesma edição da Folha, a Profa. Maria Hermínia Tavares de Almeida, do Departamento de Ciência Política da FFLCH, entrevistada, coincidiu: "Na televisão, parece que os manifestantes foram atacados sem razão. Mas eles provocaram" (Informe de dirigente do Sintusp à assembléia da Adusp afirmou que, ao contrário, as provocações partiram da PM, especificamente contra as mulheres manifestantes, provocações acompanhadas - detalhe para nada secundário - da exibição de armas com poder letal).

A certeza absoluta, bastante imprudente, da Reitora, do Emérito e da Cientista, não revela, além disso, o teor das "provocações" que teriam "acuado" à PM (Teriam os manifestantes, ou um “grupo” deles, feito perigosos gestos obscenos contra os policiais? Ou, talvez, gritado de modo ensurdecedor, ao ponto de seus insultos penetrarem capacetes especialmente desenhados para impedir a passagem de altos decibéis?) nem estabelece qualquer (des)proporção entre a suposta “provocação” e a reação policial, tarefa que, no mesmo caderno da Folha, fica reservada para o Governador José Serra (a cada um sua tarefa), segundo o qual “a Polícia Militar não exagerou no confronto”. (1)

A Profa. Tavares de Almeida reconhece que “os salários da USP não são excepcionalmente altos”, pensando seguramente nos salários docentes. Os salários dos funcionários, com raras exceções, são simplesmente baixos. Afirma, porém, que não se poderia “começar uma negociação sobre salário invadindo o prédio da direção da universidade”, o que é uma informação falsa. Na USP há 15.221 funcionários técnico-administrativos, sem contar os aposentados (que também fazem parte da folha de pagamentos). Os salários dos docentes (5.434), em especial em início de carreira, são também baixos, em relação à qualificação básica (doutorado).

Poucas empresas ou indústrias do estado têm tal quantidade de funcionários, nenhuma os têm tão concentrados. Nessas condições, só se poderia extirpar a luta de classes na universidade mediante o recurso sistemático à polícia, ou governando sob Estado de Sítio, em nome, claro, da função precípua da universidade, produzir e transmitir conhecimento. É o sous-entendu de alguns discursos que parecem invejar a “paz” da “uniberçydade pribada”, com seus brilhantes dirigentes, elevado nível de ensino, pesquisa avançada e dotada de vastos recursos (extraídos dos lucros delirantes não-taxados das mantenedoras), democracia na discussão, e preocupação social (com as exceções de praxe).

A Folha nos informa também que já temos, na USP, um certo CDIE (Comissão para a Defesa dos Interesses dos Estudantes), composto por estudantes de direito, economia e engenharia, que fez um abaixo assinado contra a greve (ou seja, não contra o piquete, ou qualquer outra ação discutível, mas contra o direito elementar de uma categoria de trabalhadores se organizar em defesa própria), além de realizar, pelo que se sabe, outras ações bem menos pacíficas. Ou seja, que já teríamos um grupo com objetivos, e provavelmente métodos, de natureza fascista. A universidade seria, como outras vezes, um micro-cosmo antecipatório da sociedade em geral.

Não houve nenhuma tentativa de invasão, logo de cara, na campanha salarial (assim como não houve invasão pré-concebida dos estudantes em 2007), mas só um piquete dos funcionários. Cabe supor que nossos cientistas políticos e eméritos não ignorem que, perto dos secondary pickets do movimento sindical inglês, ou dos históricos piquetes móveis do movimento sindical norte-americano – dois países que os apóstolos da “excelência” e da “internacionalização” da USP não cansam de citar como exemplos – os piquetes do Sintusp parecem bailes de iniciantes na Ilha Porchat.

A universidade pública não poderia deixar de ser palco das contradições sociais gerais da sociedade, e de suas expressões políticas, a não ser que se pretenda (ilusoriamente) suprimi-las mediante o tacão policial (suprimindo também, nesse caso, todo debate acadêmico ou científico, e matando com isso a produção e transmissão de conhecimento, crítico ou não – aliás, todo conhecimento é crítico). É por isso que ela só pode ser eficazmente administrada por um governo oriundo da democracia em todos seus níveis de organização. O que os detratores consideram a fraqueza da universidade pública (a expressão aberta, social/sindical, política, ideológico/científica, de seus conflitos internos) é justamente sua força, interna (para produzir conhecimento) e externa (para transformar a sociedade). O autoritarismo só produz administrações incompetentes (sob pretexto de “eficiência”), ensino degradado (agora também “à distância”) e pseudo-conhecimento rotineiro, baseado na cultura do produtivismo relatorial – obsequioso.

A democracia não suprime o conflito, nem o “institucionaliza”: faz dele a mola propulsora do progresso geral. O autoritarismo, ao contrário, o transforma no fator do impasse geral.

O programa aprovado na assembléia da Adusp fixou os objetivos da luta atual. Não estamos diante de um “conflito elementar” exagerado por administradores incompetentes. O seu alcance é maior, é muito mais o que está em jogo, para a USP, para a universidade pública, para o Brasil.




Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

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este blog anda com muita imagem e pouco texto. mas isso é só um fato, não uma reclamação.
ainda que eu não me convença completamente (ou somente) da questão do fato. e seja um tanto enrolada.



este aí é um teste sobre um pedaço de madeira qualquer, achado numa caçamba.
a madeira, não o teste.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

um portfolio


o comentou, eu fui olhar e fiquei bem embasbacada também. o portfolio da fotógrafa Lina Scheynius é realmente muito bonito.
só clicar na imagem para ir até lá.




Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

o final do dia e as escalas (cromáticas ou não)