O que caracteriza a obra de arte é, precisamente, esta eterna presença da coisa daquela carga de amor e de saber que, um dia, a configurou.
COSTA, Maria Elisa (org) “Com a palavra, Lucio Costa” Rio de janeiro: Aeroplano, 2001. In: COSTA, Lucio. “Registro de uma vivência”)
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distribuição das vozes:
o narrador convencional (apresentadores da verdade em tom uniforme e fala neutra) Björk Guðmundsdóttir
o cafajeste (imaginário brasileiro que se extende desde o melodramas até teorias literárias à la antonio cândido) Charles Robert Redford Jr.
a mocinha (antagonista do cafajeste, moral imaginária; inocente e idiota) Harry Dean Stanton
os sandapilários indiferentes (opera-riado, gente pobre) e as juvenilidades auriverdes (nós) águia, urubus, porcos, capivaras e catadores do lixão de São Gonçalo
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a memória se apóia nas coisas concretas; a memória cognitiva dá voltas, se constrói a partir de um emaranhado de estímulos e o suposto “passado” volta à realidade mediante solicitações presentes. e de trechos dum livro antigo, sons de um mar distante, imagens congeladas de um filme qualquer, surge, igualmente confusa, uma maneira de pensar -- juntando os pedaços depreende-se um raciocínio mais ou menos lógico.
impossível a construção de uma consciência individual, na medida em que o raciocínio baseia-se em linguagem, e a linguagem depende de sociabilidade.
a linguagem é um mecanismo forjado e falho por excelência
a realidade é uma construção.
O que caracteriza a obra de arte é, precisamente, esta eterna presença da cosia daquela carga de amor e de saber que, um dia, a configurou. (Mesmo que a tal carga nunca tenha existido de fato)
-- É bastante simples: basta não quebrar o eixo.
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